Natural de Porto Velho, A Black Z começou a cantar ainda na escola, bem na adolescência com seus 15/16 anos e foi um professor que a incentivou ainda mais na música.
“… um professor de filosofia e geografia que mais tarde eu descobriria que era também maestro, ele me viu cantar em uma apresentação na escola e resolveu me dar aulas de canto, diante disso surgiu um projeto de escola de música para a periferia na escola onde eu estudava, então eu tive aulas de canto com ele, teoria musical, violoncelo e ele começou a me desenvolver na música, então comecei a cantar em casamentos, na igreja, em apresentações na escola e nunca mais parei e fui me profissionalizando…”
Até 2019, seu nome artístico era Anderson Black, entretanto, para concorrer aos editais culturais, como a Aldir Blanc e outros, e também para lançar um álbum, era necessário registar o nome artístico, a questão era que já havia um artista registrado com esse nome, diante disso, ela e seu produtor pensaram em outro nome que mostrasse a sua identidade e que não fugisse de sua marca registrada: a pegada black.
“Até que veio “A Black Z”, que significa que entre o A e o Z existe todo o universo de Black… que canta, adora quadrinhos dos x-men, adora moda, culinária, teatro, bruxaria.. e culmina na música, então ficou registrado A Black Z e meus álbuns e clipes ja foram lançados com o nome novo.”
Tributo À Black Music Brasileira
Referenciar a música preta é sempre necessário, principalmente diante do histórico de apagamento que temos na história do nosso país. A Black Z afirma que o “Tributo a Black Music Brasileira” nasceu da necessidade de continuar fomentando a memória da música preta no Brasil, sobretudo, para as futuras gerações.
“Lá em Rondônia eu já fazia tributos a ícones da music preta, como Sandra de Sá, Tim Maia, Liniker, Fat Family… mas eram shows separados para homenagear cada artista, então eu saí de Porto velho e vim para São Paulo em 2024 e fui entender a cena artística, fui fazer networking, deixar meu nome entrar nos lugares, fui analisando o terreno…”
Foi em 2025 que a artista pensou então em juntar todas essas referências em um único show. E de acordo com a mesma: “não só ser música e sim um show documentário pegando desde a época da ditadura ate os dias de hoje, então fiz uma minuciosa pesquisa sobre as músicas que resistiram naquela época, os artistas que estavam no fronte e não deixaram a música preta esmorecer, como Elza soares, Toni Tornado, Gerson King Combo, Cassiano, Wilson Simonal ate chegar nos mais contemporâneos como Iza e a própria Liniker que é uma mulher trans preta e traz toda essa representatividade”. O espetáculo se torna então uma homenagem histórica passeando pelas décadas e mostrando o poder e a influência da música preta na nossa sociedade e cultura.
Motivada pelo desejo de levar o espetáculo para as ruas e periferias, conseguiu aprovar o projeto no edital “Proac”, foi então que o apresentou no “Natal de Rua”, na cidade de Itapevi, Zona Oeste de São Paulo.
“Deu certo, fizemos o show na rua na época de natal e essa troca com o público é muito importante e dar a resposta artística que o projeto foi feito pra isso. A terceira edição do projeto aconteceu dia 28 de fevereiro de 2026 a pedido do próprio teatro Unicid, que gostou do show e pediu para repetir, desta vez eu tinha um corpo de bailarinos e atores.. alem é claro dos músicos, os backing vocal e as participações especiais. O projeto nasceu para reviver a memória da música preta no Brasil, passeando pelo jazz, passando pelo soul, até o axé music e samba também, mostrando nossa resistência.”
A realização da quarta edição ainda está sem data prevista, o projeto está inscrito em um edital do Sesi, e o resultado ainda não foi divulgado.
Arte independente e a importância da democratização do acesso à cultura e arte.
“Às vezes é desanimador, mas sempre com a consciência de que ser artista vai muito alem de ter patrocínio ou não, se eu me apresentar sem nada na rua só com a cara e coragem, eu continuo sendo artista.”
A realidade do/da artista independente no Brasil ainda é muito delicada. É preciso lidar com a desvalorização, com a burocratização dos editais, com a precarização e com os nãos. “É de fato uma luta diária, lidar com editais pra conseguir levar o projeto pra frente, fazer audições e se acostumar com os nãos por não estar no perfil (rsrs), não conseguir dinheiro suficiente pra pagar todos da banda, não ter local pra ensaio etc. É desafiador, pois o cenário de São Paulo é matar ou morrer, e me adaptando a cena do sudeste eu vi o quanto é importante ter contatos e relações bem fortes nesse meio para ajudar a alavancar nem que seja pra chamar público para um show. Sou acostumado com a lida da região Amazônida, aqui em São Paulo muitas vezes é cada um por si, não deu certo vai pra outra ate dar certo” Afirma A Black Z.
O acesso à cultura e arte ainda é muito limitado, falta investimento, falta aparelhos culturais nas periferias, a realidade é que quem vive nas margens, está sempre mais distante de usufruir de arte e cultura e ter seu trabalho reconhecido e valorizado.
“Quanto mais pessoas tiverem acesso a história da música preta, mais pessoas vão conhecer o próprio país e de onde vieram, mais pessoas vão querer ser artistas, mais pessoas vão se emocionar… às vezes cantando nas periferias a gente encontra pessoas que nunca foram em algum show por falta de condições e por ser muito caro, a democratização deveria ser pauta primordial para a sociedade que tem como pilar a cultura.”
A Black Z acredita que a arte tira as vendas dos olhos da sociedade. E que é preciso mais politicas públicas para o teatro de rua, eventos nas praças, escolas, hospitais… e também ingressos mais baratos, “ir ao teatro hoje se tornou evento de elite e isso não pode ser normalizado.” completa a artista.
Por fim, a realidade da A Black Z, é de resistência, resiliência e muita fé no próprio trabalho. “Em resumo o evento não recebe nenhum patrocínio a não ser se for por edital, tanto que na última edição que teve era só por bilheteria e eu não consegui pagar a todos e tive que tirar do próprio bolso(o comum da luta artística) O que eu aprendi e executei aqui nesses 2 anos foi que ja que não estão me dando oportunidades eu vou fazer a minha e fiz.. estou rica? De jeito nenhum, to cheia de dívida (haha) mas continuo sendo artista. O certo seria termos um certo respiro e alivio na nossa profissão, mas é tudo muito incerto.”
Como encontrar A Black Z
Atualmente a artista atua no teatro musical, às vezes como atriz, às vezes como diretora musical, faz show covers de artistas da Black music brasileira e tem uma empresa LTDA para captação de recursos de editais da cultura e produção.
Você pode encontrar a artista em suas redes sociais: