Carnaval e glitter: diversão e cultura consciente.

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O carnaval brasileiro, é uma das maiores expressões culturais de rua do mundo. Uma festa que possibilita a fuga da realidade muitas vezes maçante para grande parte da população por um breve período. Após elaborar (e nem sempre pôr em prática) as resoluções de ano novo, o carnaval surge como a festa da libertação dos corpos, da celebração das identidades culturais únicas que existem ao redor do país. De norte a sul, diversos locais tem suas maneiras específicas de comemorar o carnaval, mas existe um agente nada secreto que está presente em toda festança carnavalesca o, nem tão inofensivo assim: Glitter.

Você sabia que o plástico é um dos maiores poluidores do meio ambiente, e o maior poluente do oceano? Pois é, o plástico que fica à deriva sendo partido em pedaços cada vez menores e aumentando assim seu potencial destrutivo à vida no planeta. Dessa forma, as partículas que chegam a menos de 5 milímetros, como o glitter, chamamos de microplásticos.

Que podem acabar na sua mesa, na sua comida… 

E como é produzido o Glitter? Vem que te explico!  O glitter é produzido a partir de uma camada de plástico que é metalizada com alumínio, após isso é incorporada a cor, uma camada de material transparente para manutenção dessa cor, e por fim, as partículas são cortadas para formar o que nós utilizamos em diversos setores da sociedade, assim como no carnaval. Com o passar dos dias esse material todo vai saindo, seja através do suor ou banho, e o glitter vai escorrendo pelos ralos e bueiros, onde vai parar nos córregos (que antes eram rios) e por fim no oceano. Durante o percurso esse material é incorporado a todo o meio ambiente. O microplástico se acumula nos nossos corpos causando inflamação e dano celular, doenças cardiovasculares, aumento no risco de câncer, além de afetar a saúde intestinal afetando a nossa flora intestinal. 

Existem mudanças químicas que ocorrem na biomineralização, que é o processo onde organismos vivos (bactérias, fungos, plantas, animais) sintetizam minerais (nesse caso de cálcio) para formar estruturas funcionais. Esses minerais são a base de construção das partes mais duras dos corpos de criaturas marinhas como corais, moluscos e diversas espécies de ouriços do mar. Esses cristais agregados ao glitter permitem que as partículas que já são produzidas em tamanho micro (entre 0,3 e 0,05 milímetros), fragmentem-se em espessuras de menos de 1 micrômetro (0,001 milímetro), ganhando o nome de nanoplástico e com potencial nocivo muito maior. Esse processo começa a acontecer em menos de 5 minutos de exposição às características das águas marinhas.

Além de entrarem na base da pirâmide alimentar marinha, também acaba fazendo parte dos pratos da classe trabalhadora, que não tem acesso aos melhores produtos do mercado.

Algumas dicas na remoção do glitter para que ele não vá parar rios e oceano:

  • Não utilize (kkkk)
  • Não lave diretamente na pia ou chuveiro
    • Remova com lenços ou algodão, e descarte no lixo comum.
  • Utilize alternativas ao glitter industrial de poliéster e alumínio

Uma ótima alternativa é o glitter ecológico que você pode produzir em casa, feito com gelatina vegetal extraída de algas, o agar-agar (aproximadamente 50g por R$7). Ele não precisa ser levado à geladeira para adquirir firmeza além de não derreter em temperatura ambiente, o que acontece com a gelatina de origem animal. Existe também a opção de nanocristais de celulose que também são biodegradáveis (aproximadamente 250g por R$60). Nas duas opções as cores podem ser inseridas por corante natural.

Hoje há Projetos de lei no Brasil que visam restringir o glitter, focando principalmente no impacto ambiental de microplásticos (PL 347/2020) e na proibição de glitter plástico/metálico em alimentos (PL 5421/2025). Além disso, a ANVISA (2025/2026) determinou a suspensão e recolhimento de glitters comestíveis que contenham polímeros plásticos (como PP), proibindo seu uso em confeitaria.
Todo plástico se tornará microplástico, e a população preta e periférica é a mais afetada. A redução da produção e utilização é extremamente importante para a manutenção da saúde dos ecossistemas e nossa própria sobrevivência. Sempre confira os rótulos. Se encontrar nomes como polyethylene ou polypropylene, por exemplo, você já sabe: contém microplástico!