Profissionais em início de carreira compartilham desafios, conquistas e reflexões sobre o caminho na comunicação
Construir uma carreira no jornalismo já é um desafio em um mercado competitivo. Para muitos jovens, esse caminho também envolve superar barreiras sociais, acesso limitado a oportunidades e a necessidade constante de provar sua capacidade. Ainda assim, novas trajetórias vêm sendo construídas com talento, persistência e apoio coletivo.
Histórias como as de Edu Alves, 23 anos, jornalista e apresentador (@edualveess); Manuela Meneses, 24 anos, redatora e revisora do BN Hall (@eumanuelameneses); e Maurício Reis, 25 anos, repórter do BN Hall (@evericio__), no Bahia Notícias, mostram como dedicação e resiliência podem abrir caminhos na profissão.
Ao longo da trajetória, os desafios aparecem de diferentes formas. Para Edu Alves, um dos principais obstáculos é perceber que, muitas vezes, o talento sozinho não garante acesso aos espaços desejados.
“Eu sempre falo que o talento do jovem parece não ser suficiente para levá-lo aos lugares dos sonhos.A gente ainda depende, na maioria dos casos, de muita gente para fazer com que a nossa realidade mude”, afirma.
Em Salvador, muitos jovens enfrentam desafios adicionais ao tentar ingressar no mercado de trabalho, especialmente em áreas competitivas como a comunicação. Questões como acesso desigual à educação, redes de contato limitadas e a necessidade de conciliar estudo e trabalho acabam tornando o caminho profissional mais longo para parte da juventude.
Um exemplo é o bairro da Mata Escura, onde cresceu Maurício Reis. Localizado na região conhecida como “miolo” da capital baiana, o bairro surgiu a partir da expansão urbana da cidade e hoje abriga dezenas de milhares de moradores, com forte presença de comunidades populares e intensa vida cultural ligada à tradição afro-baiana. Como muitas áreas periféricas da cidade, a região também convive com desafios históricos ligados à infraestrutura urbana e oportunidades de mobilidade social.
Edu também destaca que ampliar a presença de profissionais com diferentes origens nesses espaços fortalece quem vem depois.
“Enquanto estivermos em minoria ou praticamente sozinhos nesses lugares de referência, puxar nosso irmão é um pouco mais difícil”, completa.
Para Manuela Meneses, os desafios também passam pelos estigmas que muitas vezes acompanham a origem social de quem busca espaço no mercado de trabalho.
“Os maiores desafios têm muito a ver com os estigmas colocados sobre quem vem de contextos mais vulneráveis. Muitas vezes surge uma necessidade constante de se provar o tempo todo, de mostrar que somos capazes”, explica.
Ela também destaca que o acesso às oportunidades nem sempre acontece da mesma forma para todos.“Enquanto algumas pessoas conseguem oportunidades mais cedo, muitas vezes por indicação familiar, quem vem de realidades diferentes geralmente precisa percorrer caminhos mais longos, mas não impossíveis”, acrescenta.
Já Maurício Reis salienta que os desafios continuam presentes mesmo após a entrada no mercado profissional.
“Quando você tenta ascender socialmente de um bairro como a Mata Escura, acaba percebendo que não se trata apenas dos problemas que enfrentou, mas dos que enfrenta diariamente”, relata.
Ele também destaca que circular por ambientes socialmente diferentes pode trazer situações desconfortáveis, exigindo adaptação constante: “A parte mais difícil é continuar sendo fiel a si próprio, sem duvidar das próprias capacidades ou se envergonhar de quem você é”.
Apesar das dificuldades, alguns momentos da carreira ajudam a reforçar o sentimento de evolução profissional. Maurício relembra experiências que marcaram sua trajetória no jornalismo.“Quando subi no trio de Daniela Mercury durante o Furdunço ou quando falei frente a frente com Daniela Mercury ou Luedji Luna, percebi que estava vivendo coisas que antes pareciam distantes”, conta.
Reconhecer os próprios avanços também foi um processo importante para Manuela. Segundo ela, olhar para a própria história ajudou a entender o caminho percorrido: “Foi só quando fiz um exercício de olhar para trás e refletir sobre toda a minha trajetória que comecei a perceber o quanto já tinha avançado”.
Apesar dos desafios e das diferentes experiências, os três jovens compartilham uma visão em comum: a construção de uma carreira no jornalismo exige persistência, aprendizado constante e confiança no próprio caminho.
“Não desista”, resume Maurício. “Terão dias difíceis, mas é preciso continuar e lembrar de onde você veio”.
Assim, entre desafios e conquistas, histórias como as de Edu, Manuela e Maurício mostram que novas vozes seguem encontrando espaço no jornalismo e ampliando a presença de jovens profissionais na área.