Com a chegada do Dia das Mães, a data costuma ser marcada por homenagens, celebrações e demonstrações de carinho. No entanto, para além do cenário afetivo que tradicionalmente envolve o período, também existe o cotidiano enfrentado diariamente por mães periféricas e mulheres em situação de vulnerabilidade social.
A proposta não é retirar o simbolismo de uma das datas mais importantes do calendário, mas ampliar o olhar sobre a maternidade e os desafios que acompanham milhares de mulheres todos os dias. Entre jornadas duplas, responsabilidades domésticas e a pressão social constante, muitas mães lidam com uma rotina exaustiva para garantir o sustento e o cuidado da família.
Na maioria das vezes, são mulheres que acordam antes de todos, organizam a casa, preparam a alimentação, cuidam dos filhos e ainda precisam conciliar trabalho e outras demandas. Quando não conseguem atender às expectativas impostas socialmente, acabam sendo julgadas como mulheres que “não dão conta”, reforçando uma cobrança histórica direcionada à figura materna.
Mais do que celebrar a maternidade, o Dia das Mães também abre espaço para reflexões sobre sobrecarga, desigualdade social e os diferentes contextos vividos por mulheres em diversas regiões do país.
Enxergar que o “Dia das Mães” acontece todos os dias vai além de uma frase de efeito ou de uma homenagem simbólica. Para muitas mulheres, ser mãe significa viver em estado constante de atenção, responsabilidade e renúncia.
Em diferentes contextos sociais, principalmente nas periferias, a maternidade também é atravessada pela necessidade diária de resistência. Entre o cuidado com os filhos, a preocupação com a segurança, o sustento da casa e a pressão social, muitas mulheres acabam deixando suas próprias individualidades em segundo plano para manter a família em pé.
Enquanto o Dia das Mães movimenta o comércio e as redes sociais com homenagens emocionadas, milhares de mulheres seguem vivendo uma rotina marcada pelo cansaço, pela cobrança e pela necessidade constante de resistência. Celebrar a data também passa por reconhecer vivências que, muitas vezes, permanecem invisíveis.